RASHID – Diário de Bordo 6 (com Chico César)

“Eu nunca quis retomar a série ‘Diário de Bordo’. Só que eu não me lembro de ter vivido um período tão conturbado no país desde que tenho consciência de mim mesmo e da sociedade. É impossível, eu, artista que se compromete a espelhar a realidade em sua arte, não trazer tudo isso à tona”, afirma Rashid, que tece reflexões sobre temas diversos — de vacina e negacionismo a racismo e política — ao longo dos mais de cinco minutos de música. Inclusive, o rapper é objetivo ao revelar o que motivou o seu processo criativo: “A raiva é o combustível aqui”.

Durante a produção, enquanto ouvia a parte instrumental repetidamente, Rashid começou a balbuciar uma melodia e percebeu que aquele trecho combinava com a voz de Chico César. Foi então que o rapper fez o convite para que o artista paraibano se juntasse a ele no “Diário de Bordo 6”.  “Sabendo do quanto Chico César é um artista politizado e posicionado, enviei para ele o que tinha. Ele acrescentou muito mais riqueza, sentimento e aquela letra incrível”, comenta Rashid. “Eu nunca havia pensado em ter um participação em algum ‘Diário de Bordo’, mas, sem dúvida, ele era o cara pra isso”, completa.

A admiração destacada por Rashid não parte só dele, Chico César enxerga a parceria como resultado “do encontro, da identificação e admiração recíproca entre os criadores”. O cantor, que também participa do videoclipe, explica que a vontade de se conectar com a cena jovem do hip hop é um dos motivos que o animou durante a criação da sexta parte de “Diário de Bordo”. “Cada vez mais borram-se as fronteiras e os limites entre os estilos na música brasileira. Penso que essa parceria com o Rashid tem muito a ver com isso. E eu me sinto muito feliz de poder estar ao lado de um artista tão importante para a cena jovem do hip hop. Também quero falar com a juventude que o escuta. E quero que quem segue meu trabalho também o ouça”, comenta Chico César.

Dirigido por Levi Riera, o registro audiovisual reforça a ideia de como a realidade e as tristes notícias invadem a casa do povo brasileiro de forma nociva — algo que é potencializado pela pandemia, mexendo com a saúde mental e a estrutura da sociedade.

A raiva foi a faísca para o surgimento de “Diário de Bordo 6”. Mas Rashid garante que escreve com um ferrão de abelha em busca de dias melhores. “Ninguém quer permanecer na raiva ou na revolta, elas são apenas a fagulha. A mudança e a revolução são o incêndio. O que nós queremos está depois disso”, ele pensa. “Quando essas injustiças tiverem sido varridas por esse incêndio, pela reparação histórica, pelas ações afirmativas e pelo bom senso, aí faremos canções que relatam a mudança e que celebrem a paz”, finaliza.

Publicado em 06/05/2021
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